tainamuller
Sep 9
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Chegou o momento das dúvidas existenciais por aqui. Respiro fundo antes de (tentar) responder cada pergunta. Me questiono. Estou respondendo a altura? Estou criando uma visão de mundo complexa pra ele cedo demais? Qual é a medida? Ele cresce e junto com ele crescem as questões fundamentais que vão acompanha-lo pelo resto da vida. Olho no fundo dos olhinhos em ponto de interrogação e desejo profundamente ter as respostas pra tais dúvidas: vida, morte, as estrelas, o tempo. Conto versões diferentes pras diversas culturas, religiões, ciência.. abro espaços de elaboração e tento dar contrapontos para que ele comece a compor uma visão própria. Não quero cravar uma resposta que eu mesma sigo persistentemente buscando. Não quero também frustra-lo com talvez a única verdade que sei disso tudo aqui. A vida é um mistério pândego que brinca de esconde-esconde numa grande sala de espelhos. Quando você acha que está prestes a tocar o mistério fujão e desvendar todos os seus segredos, ele se desintegra no ar, deixando apenas o seu próprio reflexo diante de você.
É difícil explicar, filho. Talvez quando você for mais velho eu te diga que a vida é algo que flutua na zona cinza que existe entre o êxtase e a dor. Intensidade. Mãos espalmadas buscando no vazio, quando tudo na verdade já é e está. Iluminação fugaz. Desapego para os mais sábios, despejo das vaidades para os mais medrosos. E no fim das contas, o que conta mesmo de tudo isso, é a capacidade que cada um tem de aprender a amar e ser amado. Sim, filho, porque se amar é um dom milagroso da nossa espécie, aprender a receber o amor “disponível pra download” é o maior dos exercícios.
Sigo atenta às perguntas dele revisitando as minhas próprias. Domando a angústia de saber que nada sei.
tainamuller
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