daniarrais
Sep 23
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Às vezes quem tá mais perto da gente não entende a consequência que uma escolha pode ter nas nossas vidas. Explico: faz muito tempo que nossas famílias não só nos aceitam. Vocês sabem, inclusive, que eu tenho bode dessa palavra. Gosto de acolhimento. De amor. De sermos celebradas pelo que somos. Uma família de mulheres lésbicas, duas mães e um filho. Nos nossos universos somos aceitas, acolhidas, celebradas, estamos sempre cercadas de gente que faz questão de dizer: que massa ver vocês existindo, que importante. Nosso filho, então, é aquele ser que desperta alegria e esperança, além de muitos sorrisos.
Ainda assim, sinto que para alguns da família a dimensão política da nossa existência não é completamente compreendida. Não adiantou dizer que um voto em 2018 era uma ameaça concreta pra gente. Houve quem escolheu o inominável, e isso me causou uma dor tremenda.
Agora em 2022, já sei que houve um arrependimento em relação a essa escolha errada anterior, mas ainda não há ainda um endosso em um voto que defende nossos direitos. Um voto que não nos faz ter medo de sair na rua vestindo vermelho no dia da eleição, sabe?
É como se olhassem apenas pra gente, e não pra todas as famílias LGBTQIA+. É como se o entendimento sobre a gente se encerrasse na gente, e não abarcasse o grupo do qual fazemos parte, tampouco os outros tantos minorizados também. E dói quando quem tá tão perto não consegue enxergar isso.
Como disse a @lihenriques na roda de Dupla Maternidade que fizemos essa semana: "Amar o neto não é suficiente. Eles precisam se posicionar pra defender o neto". E a @carolbcampos completou: "É papel da família proteger a existência das nossas famílias. E isso também significa escolher em quem vota".
Nem todo privilégio é capaz de proteger a gente numa escalada de violência como a que estamos vivendo. Por isso, eu peço: na hora de votar, nos levem com vocês. Nos protejam. Nos endossem. Nos vejam. Um primeiro turno decidido a favor da democracia é o que a gente precisa agora. Até para termos garantido o direito de discordar sem que isso seja uma ruptura de afeto – e até mesmo do mundo como o conhecemos hoje.
#escrevescreve #eraumavezduasmães #lula2022
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