lia_rizzo
Sep 13
93
1.31%
Um grande cineasta, um sujeito interessantíssimo e, também ou por tudo isso, alguém com uma baita consciência de vida. E de morte. Hoje o feed está inundado de homenagens pela partida de #JeanLucGodard que, embora trabalhasse muito o silêncio na ação, deixou de herança não apenas a estética linda de seus filmes, mas quotes profundos. Fora das telas foi assim também. De suas frases que gosto muito, além da que compartilho aí em cima, está a que parece um quase aviso: "Estou terminando minha vida no cinema — sim, a vida de cineasta — fazendo dois roteiros e, depois, direi adeus, cinema." Aos 91 anos, decidiu dar adeus também à vida privada. Partiu pois, conforme declarou numa entrevista em 2014, não deixaria a vida arrastá-lo em um carrinho de mão, caso estivesse muito doente. E não estava doente. "Se sentia esgotado", disseram. Tenho sentimentos conflitantes sobre o suicídio assistido (e eutanásia, duas coisas bem diferentes, mas que andam ali lado a lado nos debates). Talvez por desconhecimento de legislações e meios, mas imagino que muito mais por desconhecimento de outros sentimentos que a morte desencadeia que não tristeza, finitude dolorida, egoísmo por achar que nunca houve tempo suficiente pré despedida de quem amamos. Godard ainda determinou em vida que, após sua partida, fosse a público que ele optou pelo suicídio assistido - permitido na Suíça, onde o franco-suiço vivia atualmente. Um silêncio perturbador, uma atitude política e na vanguarda existencial de escolher a hora da não existência: encerrou sua história pessoal à mesma maneira que inaugurou uma nova era estética, de linguagem e pensamento como o grande nome que foi da #nouvellevague.
lia_rizzo
Sep 13
93
1.31%
Cost:
Manual Stats:
Include in groups:
Products: