luizzerbini
Jun 8
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“Vai para o garimpo pela primeira vez quem foge da miséria. Vai sofrer e levar sofrimento. Rios de vida se tornam rios das mortes, pardacentos, envenenados. ‘A floresta está viva’, diz Davi Kopenawa. ‘Não a ouvimos quando ela se queixa, porém ela sofre, como os humanos. Ela sente dor quando está queimada e geme quando suas árvores caem.’
O garimpo produz rios da morte. Revolve a terra como os bandos de queixadas, dizem os Yanomami. Mas faz mais. Abre clareiras de devastação na floresta, destrói as margens e enche de lama os rios menores: esses tributários levam 7 milhões de toneladas de lama por ano à calha do rio Tapajós. Também abre crateras profundas que, depois de abandonadas, deixam um solo exposto que não conseguirá ser recuperado e poças de água parada nas quais os mosquitos da malária proliferam. O garimpo usa mercúrio para separar o ouro dos sedimentos. Libera metilmercúrio, que envenena os igarapés, os rios, os peixes e quem os come. Entre os Munduruku, às margens do Jamanxim, afluente do Tapajós, a contaminação impera: chega a 87% da população, em uma das aldeias pesquisadas pela Fundação Oswaldo Cruz. Nos peixes, a concentração de mercúrio é de duas a nove vezes maior do que o limite tolerado pela Organização Mundial da Saúde. O mercúrio afeta crianças, adultos e idosos, atacando sobretudo o sistema nervoso central. Desde o ventre da mãe contaminada, diminui o quociente de inteligência da criança em formação e coloca em risco gerações de populações indígenas e ribeirinhas.”
[trecho do texto Rio das Mortes, assinado por Manuela Carneiro da Cunha, no livro ‘Luiz Zerbini: a mesma história nunca é a mesma’, disponível em masploja.org.br ]
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