carolinericcalee
Jul 20
341
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Oi pai, faz um ano desde a sua partida. Você foi o meu primeiro abismo e segue sendo parte da minha própria imensidão. O não-lugar contido em seu paternar, quando você esteve presente [ao mesmo tempo ausente], revela como pais da diáspora mantém uma natureza dual continuamente em trânsito: Distante demais mesmo estando perto. Perto demais principalmente quando distante. Mas logo que você partiu, era como se as palavras não coubessem mais em minha boca. Aliás, algumas não cabem ainda; pois é como se a finitude do próprio vocabulário me sufocasse. De início, foi difícil lidar com a ideia de quão irônico seria alguém como eu não ver mais graça na linguagem. De fato, não era uma simples perda de paladar. O luto me escancarou como há paisagens de experiência nessa vida completamente impossíveis de serem narradas. Para além, como a busca por domar o incontrolável parece algo cruel diante da beleza que é o inevitável. Ao viver o impronunciável de sua morte, sinto ter renascido para demais formas do sentir. Na prática, tais aprendizados são mais doloridos e solitários, do que fascinantes e sublimes, né? Porém, ao colocar em perspectiva esse ano, comemoro o exercício de permanência na busca por sua presença de olhos fechados, por mais desafiador que fosse; pois através da ternura e do amor, sua herança em mim é a lembrança que apesar de ser impossível domar o cavalo nomeado com nossas vidas, apreciar sua liberdade, é preciso. Retomo minhas palavras, em sua memória. Eu te amo. Sempre.
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12.02.1955 ~ 19.06.2021
[english below]
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