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6 meses Bruno, queria te contar um pouco de como as coisas ficaram por aqui após a sua partida. O vazio que ficou aqui dentro. Toda semana, especificamente nas quintas, vou para a casa da nossa avó, que costumava ser a sua, para passar o dia com ela. A vovó desde que você se foi, continua colocando sua xícara no mesmo lugar que era costume antes de você acordar, 5 da manhã, para tomar café e ir para UFRA. As suas coisas continuam no mesmo lugar. Os teus livros, livros e apostilas de estudo, o notebook, os bonés, algumas das tuas camisas com o teu cheiro que ficaram comigo, a penteadeira com tuas coisas trazem uma sensação única, como se você estivesse aqui do lado. E eu amo essa sensação. Uma coisa que eu ainda não consigo fazer, não tenho coragem, é ouvir as músicas da Banda Scalene, Calcinha Preta, RBD e Banda Sayonara. Costumava dizer que era uma coisa particular nossa: ouvir todas essas músicas (aleatórias eu sei) nos nossos momentos em casa. Era engraçado. Era maravilhoso. Ainda não dá. Hoje em dia sou eu quem vai fazer compras com o vovô, em uma dessas vezes ele chorou lembrando da última vez em que você foi com ele. Ele também usa tuas camisas para te sentir mais perto. Quando ele usa a do Remo, nossa, meus olhos enchem de lágrimas instantâneamente. A mamãe (sua tia) sente demais sua falta, da parceria de vocês e da tua companhia nos fins de semana em que era certo você ir pra minha casa. A titia (sua mãe) é a pessoa mais forte que conheço, mesmo sabendo que ela tem passado os piores meses da sua vida. Ela é a pessoa com quem consigo conversar sobre você sem chorar. Ela reza o terço todos os dias e espera que um dia a gente ainda possa encontrar respostas. Sobre mim, o que eu posso dizer, é que venho me descobrindo de novo e de novo. Uma nova realidade. Uma realidade sem você. Sem a pessoa que foi meu braço direito nos meus 24 anos. Sem o meu irmão. Descobri que tem dias em que saio, converso, sorrio, me divirto, mas no meu interior existe um vazio que não se preenche, que me engole no momento seguinte. Descobri também que somente para quem perdeu um ente amado é natural falar dele como se ele ainda estivesse aqui (e está). Continua.
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